17 outubro 2015

Dilma e a desmoralização dos golpistas


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Lula Miranda*

A presidente Dilma, recentemente, acusou em discurso àqueles a quem ela chamou de "moralistas sem moral". A presidente queria dizer que aqueles que a acusavam não tinham moral para acusá-la. Ao que parece ela estava mesmo com a razão (e com a moral). É consenso que a presidente é pessoa de moral ilibada. Já em relação aos seus detratores...

Já se ouviu bastante coisas a respeito do ex-candidato tucano Aécio Neves. Desde as suas farras "inocentes" na cidade maravilhosa ao caso vexaminoso do aeroporto no município de Claudio. Teria Aécio moral para falar de Dilma?

Agripino Maia, destacado líder do DEM, flagrado, de verde e amarelo, em manifestações pelo impeachment da presidente, foi acusado de receber propina milionária em obra realizada em seu estado. Agripino tem moral? O DEM - que no passado já foi UDN, Arena, PDS e PFL; que foi o partido que deu suporte à ditadura militar. O DEM tem moral?

Agora, fica-se sabendo de novas denúncias, contra Eduardo Cunha. Dessa vez, porém, lastreadas em provas documentais e irrefutáveis. De que o presidente da Câmara tem contas, não declaradas, no exterior. E de que teria recebido, por baixo (dos panos? da moral?), depositados nessas poupanças offshore, cerca de US$ 5 milhões de dólares em propinas por negociatas na Petrobras.

Ficou-se sabendo também, ainda mais recentemente, que Cunha tem diversos veículos de luxo - o que, convenhamos, não pega muito bem para um supostamente humilde e honesto representante do povo [este sim, humilde e honesto].

Descobriu-se ainda que, dentre esses veículos, o político possui um Porsche registrado em nome de Jesus - sabe-se que o político é evangélico.

Cabe-nos então perguntar, entre perplexos, descrentes e estarrecidos: em nome de Jesus?!

O fruto de suposto roubo estaria registrado em nome de Jesus?! É isso?!

Eduardo Cunha é a autoridade constituída que pode autorizar (ou não) a abertura de um processo de impedimento e, consequentemente, de destituição da presidente Dilma. E, vale ainda ressaltar, é o segundo homem na sucessão presidencial em caso de impeachment. O primeiro seria, obviamente, o vice-presidente Michel Temer. Este, também, muito provavelmente, um cidadão de moral ilibada.

Enfim, vivemos num país de imorais? Ou de amorais?

No final das contas [offshore], é a presidente da República que dever ser julgada e impedida?

Que moral tem aqueles que a querem impedir de governar?

Que moral torta é essa?!

Que vexaminoso cortejo de amorais é esse ao qual estamos, todos, testemunhando?!


* Poeta, cronista e economista. Publica artigos em veículos da chamada imprensa alternativa, tais como Carta Maior, Caros Amigos, Observatório da Imprensa e Fazendo Média


Postado no Brasil247 em 17/10/2015


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