12 junho 2015

Aos namorados . . . muito amor !





Soneto da Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto 
Dele se encante mais meu pensamento. 

Quero vivê-lo em cada vão momento 
E em seu louvor hei de espalhar meu canto 
E rir meu riso e derramar meu pranto 
Ao seu pesar ou seu contentamento 

E assim, quando mais tarde me procure 
Quem sabe a morte, angústia de quem vive 
Quem sabe a solidão, fim de quem ama 

Eu possa me dizer do amor (que tive): 
Que não seja imortal, posto que é chama 
Mas que seja infinito enquanto dure. 

( Vinícius de Moraes ) 


Criação 

Há no amor um momento de grandeza, 
que é de inconsciência e de êxtase bendito: 
os dois corpos são toda a Natureza, 
as duas almas são todo o Infinito. 

Um mistério de força e de surpresa! 
Estala o coração da terra, aflito; 
rasgá-se em luz fecunda a esfera acesa, 
e de todos os astros rompe um grito. 

Deus transmite o seu hálito aos amantes; 
cada beijo é a sanção dos Sete Dias, 
e a Gênese fulgura em cada abraço; 
porque, entre as duas bocas soluçantes, 
rola todo o Universo, em harmonias 
e em glorificações, enchendo o espaço! 

( Olavo Bilac ) 


Amor 

Amemos! Quero de amor 
Viver no teu coração! 
Sofrer e amar essa dor 
Que desmaia de paixão! 

Na tu’alma, em teus encantos 
E na tua palidez 
E nos teus ardentes prantos 
Suspirar de languidez! 

Quero em teus lábio beber 
Os teus amores do céu, 
Quero em teu seio morrer 
No enlevo do seio teu! 

Quero viver d’esperança, 
Quero tremer e sentir! 
Na tua cheirosa trança 
Quero sonhar e dormir! 

Vem, anjo, minha donzela, 
Minha’alma, meu coração! 
Que noite, que noite bela! 
Como é doce a viração! 

E entre os suspiros do vento 
Da noite ao mole frescor, 
Quero viver um momento, 
Morrer contigo de amor! 

( Álvares de Azevedo )


De almas sinceras a união sincera 
Nada há que impeça: amor não é amor 
Se quando encontra obstáculos se altera, 
Ou se vacila ao mínimo temor. 

Amor é um marco eterno, dominante, 
Que encara a tempestade com bravura; 
É astro que norteia a vela errante, 
Cujo valor se ignora, lá na altura. 

Amor não teme o tempo, muito embora 
Seu alfange não poupe a mocidade; 
Amor não se transforma de hora em hora, 
Antes se afirma para a eternidade. 

Se isso é falso, e que é falso alguém provou, 
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou. 

( William Shakespeare ) 













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