29 dezembro 2011


Lições de fim de ano


Postado por Juremir em 27 de dezembro de2011 - Cotidiano 
Jacques Derrida perguntava-se: pode-se aprender a viver? É possível ensinar a viver? O filósofo francês não deu respostas a essas questões. Existirão essas respostas? Cada um de nós as procura e, de certa forma, as encontra a cada dia.
O grande escritor Oscar Wilde achava, com cinismo, que a experiência era apenas a soma dos nossos erros, o que significava não acreditar em nossa capacidade de aprender com o passado e com os próprios erros. Somos melhores do que pensava Wilde.
Muitas vezes, não aprendemos como os nossos erros por vontade de perdoar tudo, de esquecer, de começar de novo com a alma leve, o coração livre, sem rancor nem pé atrás.
     Viver e deixar viver é um modo especial de superar essa contradição entre a necessidade de tirar lições dos erros e o desejo de estar aberto ao que der e vier. Mas viver e deixar viver não quer dizer aceitar tudo do outro nem se permitir tudo em relação aos outros.
 A vida é um delicioso e complexo jogo no fio da navalha, eternamente em busca do ponto de equilíbrio. Perdoar, com freqüência, é um ato de tamanha grandeza e libertação que mesmo abrindo as portas a novos tombos impõe-se como um aprendizado da vida. O ideal, imagina-se, é perdoar sem esquecer. A verdade, porém, é que o esquecimento funciona como um auxilar do perdão. Aprendemos a viver quando aprendemos o momento de esquecer, de perdoar ou, ao contrário, de persistir na lembrança e na recusa por mais algum tempo.
     Todos nós aprendemos a viver a cada dia. Aprendemos a viver quando sorrimos para quem nos abre a porta, perdendo alguns segundos de uma pressa cada vez mais normal, num gesto afetivo que se esvai no tempo e, sem nenhuma exigência de recompensa, se farta no sorriso recebido.
Todos nós aprendemos a viver quando, redescobrindo atitudes arcaicas, damos o lugar no ônibus a alguém, mesmo a um homem, que nos parece mais necessitado daquele assento.
Aprendemos mais ainda a viver quando tudo se resume ao simples prazer de ser gentil, abrir uma porta, cumprimentar alguém, puxar uma cadeira, levantar um objeto do chão, contemplar a felicidade de uma criança no parque, dar sem esperar recompensa, assim mesmo.
     Outro dia, no ônibus, uma moça ofereceu-se para segurar a minha pasta. Não havia a menor necessidade daquilo. A pasta era leve e com uma alça.
Faz quase parte do meu braço. Ela e eu aprendemos um pouco a viver naquele gesto absolutamente sem interesse nem necessidade, a não ser a da civilidade, da gentileza e da alegria de servir aos outros. Entreguei-lhe a pasta contente. Talvez tivesse sido mais prático avançar e ocupar outro lugar, mesmo em pé, mais na frente, mas não era possível deixar de passar por aquele minúsculo aprendizado de cidadania e de vida, o aprendizado da pieguice como cola social.
     Ensinamos a viver quando dominamos as nossas manias, os nossos rompantes, os nossos preconceitos e as nossas certezas para ponderar, sentir, examinar a postura do outro. Nada mais bonito do que ser convencido, abrir mão de uma maneira de pensar em benefício de outra, acolhendo o argumento antes combatido como o fruto colhido numa árvore que se deu o trabalho de nos fazer ver mais claro e nos alimentar. Ensinamos a viver quando nos propomos a aliar razão e emoção a serviço de uma vida simplesmente melhor.
     Aprendemos e ensinamos a viver quando, apesar de nossas tarefas importantes e das nossas sérias responsabilidades, encontramos tempo para brincar, jogar, sonhar, festejar e estar com os outros.
O que significa aprender a viver? O que quer dizer ensinar a viver? Ninguém ensina a vida a outro como se fosse o dono absoluto de um saber a ser repassado numa sala de aula à moda antiga. Na vida, ensinamos e aprendemos o tempo todo, alternando papéis e trocando experiências. A vida é um curso em tempo integral que exige atualização permanente e construção pelo diálogo do saber de cada um. A vida sempre foi interativa.
     São tantos os desafios e impasses. Aprendemos e ensinamos a viver quando respeitamos a crença do outro sem nos deixar intimidar por ela. Aprendemos e ensinamos a viver quando respeitamos o direito à diferença sem perder o direito à crítica. Aprendemos e ensinamos a viver quando descobrimos a tolerância sem fazer dela um álibi para a intolerância dos outros.
Viver é simplesmente ensinar a aprender e aprender a ensinar.
Somos escolas bípedes.
Salvo, talvez, algumas celebridades.

Postado no Blog Juremir Machado da Silva em 27/12/2011

Sorrir faz bem !












28 dezembro 2011

Mousse Rosada




Ingredientes


2 caixas de gelatina sabor morango

1 lata de leite condensado
1 lata de creme de leite sem soro
1 vidro de leite de coco de 200 ml


Preparo


Dissolver a gelatina com 1 xícara (chá) de água quente e em seguida colocar 1 xícara (chá) de água fria.

Colocar a gelatina dissolvida no liquidificador com os outros ingredientes e bater bem.

Colocar em tacinhas individuais ou em uma cremeira retangular média.

Enfeitar com coco ralado ou morangos. ( Os morangos devem ser colocados após o doce gelar )

Levar à geladeira por 8 horas.

Uma variação ótima é trocar o leite de coco por uma lata grande de compota de abacaxi. 

Colocar a calda da compota no lugar do leite de coco.

Após bater todos os ingredientes no liquidificador e colocar o creme na cremeira, picar bem as rodelas de abacaxi e misturar no creme.


Unhas Verão 2012 !


        


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Para as Festas!












Só quem ama os livros entende o charme do lugar


Paris: Shakespeare and Company ou Morre George Whitman



Foto: Milton Ribeiro
Publicado com profundos cortes pessoais e de ordem comportamental — feitos por mim mesmo — no Sul21 na última segunda-feira. Copio aqui só para acrescentar algumas fotos mesmo.
Num fim de semana onde os obituários estiveram cheios de celebridades — Christopher Hitchens, Cesária Évora, Sérgio Britto, o Santos, Joãosinho Trinta, Václav Havel, Kim Jong-il — a morte de George Whitman passou quase em branco. Whitman, dono da mítica livraria Shakespeare & Company, localizada na margem esquerda do Sena, em Paris, morreu aos 98 anos em seu apartamento. Ele sofrera um derrame em outubro, mas recusou-se a ficar no hospital, exigindo ser levado para casa, que fica no andar de cima da livraria.
Fazer uma referência a uma livraria de Paris que só vende romances e ensaios literários em inglês pode parecer produto do mais puro elitismo, mas não pensamos ser o caso.
A livraria foi aberta em 1951 e — além de ser um extraordinário sebo e livraria — serve de abrigo a escritores em início de carreira para que tenham teto e/ou trabalho até que terminem seus livros. Lá também ocorrem chás literários e encontros com autores, quaisquer autores.
Whitman nasceu nos Estados Unidos em 1913, Viveu parte da infância na China. Mudou-se para Paris em 1948. Segundo ele, na época, uma bicicleta e um gato eram suas únicas posses. Em 1951, abriu a livraria Le Mistral, rebatizando-a como Shakespeare & Company em 1964, em homenagem a Sylvia Beach, proprietária da Shakespeare & Company original, responsável, por exemplo, pela primeira edição de Ulisses, de James Joyce. Quando falecera, em 1962, Sylvia Beach deixara para Whitman os direitos de uso do nome e livros.

James_Joyce com Sylvia Beach na Shakespeare & Co original (Paris, 1920)

Uma das estantes da livraria que fazem referência a Sylvia Beach | Foto: Milton Ribeiro
Imediatamente famosa no meio literário, a loja virou ponto de encontro de escritores como Arthur Miller, James Baldwin, Samuel Beckett, Anaïs Nin, Lawrence Durrel, William Burroughs, Gregory Corso, Jack Kerouac, Allen Ginsberg e rota turística para os apaixonados pela literatura. No andar de cima da livraria vivia não apenas Whitman e família, mas diversos candidatos a escritores. Reza a lenda que, desde 1964, lá dormiram mais de 40 mil pessoas diferentes entre os livros. O pagamento pela hospedagem era escrever, ler e varrer a livraria. Alguns também atendiam no balcão e na cozinha. Outra lenda diz que Whitman aconselhava a saída de autores que estavam lá há mais de ano…
Whitman viva de acordo com o lema retirado de um poema de W. B. Yeats e que está pintado numa das paredes internas — “Seja hospitaleiro com todos, alguns podem ser anjos disfarçados” (tradução livre). Durante o final de semana, velas, flores e romances foram depositados na porta da Shakespeare, fechada pelo luto. Bilhetes de homenagens foram colados com agradecimentos e elogios.

Hoje, há prateleiras em torno da citação | Foto: Blog Hipsters & Company
.oOo.
A Shakespeare and Company é o sonho do bibliófilo. Os livros — normalmente revelantes ou raros — podem ser vistos em toda parte: nas paredes, no meio da loja, nas escadas, em todo canto, sobrando pouco espaço para a circulação. Para completar, no espaço atulhado ainda há alguns locais com cadeiras e bancos para leitura. Também há um piano, sobre o qual pode ser lido um cartaz sugerindo que se toque apenas música erudita ou jazz. Os outros cartazes pedem para que os leitores nunca, jamais sejam perturbados, fato que faz com que o som da livraria seja um complicado contraponto de passos e sussurros. Na escada para o andar de cima, só uma pessoa passa de cada vez. Na verdade, a mais famosa livraria do mundo é apenas um pequeno caos onde se vende livros bem escolhidos, onde há cadeiras confortáveis e onde há a promessa de solidariedade. Nada de mega-ultra-hiper. O teto não é pintado há anos e é difícil imaginar como poderia sê-lo sem a retirada dos volumes. A atmosfera é tão acolhedora que o visitante tem a fantasia de que o conhecimento que está nos livros, sob alguma forma misteriosa, entra-lhe pelos poros quando está na livraria.
A livraria, que já era administrada pela filha de George, Sylvia Beach Whitman, seguirá ativa.
O que há bem na frente da Shakespeare? Ora, a Catedral de Notre Dame, mas, para alguns, há dúvidas sobre quem é mais catedral. Abaixo, mais fotos da livraria de Whitman:

A entrada principal | Foto: Claudia Antonini

A porta auxiliar da livraria | Foto: Claudia Antonini

O grande homenageado | Foto: Milton Ribeiro

Uma das vitrines que dá para a Catedral de Notre Dame | Foto: Claudia Antonini

O caos interno | Foto: Blog Hipsters & Company

Sylvia Beach Whitman e seu pai, George

Do lado direito, vê-se uma nesguinha de porta. É onde morava George Whitman no segundo andar da Shakespeare and Co. | Foto: Claudia Antonini

Eu estou fotografando a epígrafe de Daniel Martin, do grande John Fowles | Foto: Claudia Antonini

A epígrafe de Gramsci | Foto: Milton Ribeiro

A Claudia e o Dario dizem que os livros têm o poder de me deixar quieto. Sei lá, eu SOU quieto! | Foto: Claudia Antonini

A localização da Shakespeare em relação à capelinha medieval de Notre Dame | Foto experimental de Claudia Antonini

Comparar Notre Dame com a Shakespeare... Piada, né? | Foto: Claudia Antonini

Sylvia, a filha. 30 anos. Bonita, não?

Postado por Milton Ribeiro no Blog do Milton Ribeiro em 21/12/2011

25 dezembro 2011

Saci, Noel e a força de um mito




por Adriano Gosuen

O que Papai Noel e o Saci Pererê têm em comum? Toda criança sabe: o gorro vermelho.

De resto, um é grande, gordo e branco, enquanto o outro é pequeno, magro e negro. Mas há outra coisa que os une: ambos tem um passado curioso.

Por não existir referência à data do nascimento de Jesus, a Igreja a escolheu na mesma época das Saturnálias, festas populares do Império Romano. Estas, por sua vez, remontam às festas ao deus sumério Marduk, há 4 mil anos!

Mas Papai Noel ainda não era uma figura, com o perdão do trocadilho, presente. Sua história começa no século III, com são Nicolau, homem generoso nascido na Turquia. 

Contam que salvou 3 mocinhas da prostituição ao lhes presentear com dotes para o casório. Papai Noel ainda recebeu influência nórdica, que o retrata como um gnomo de gorro vermelho presenteado pelos fazendeiros para que, satisfeito, trouxesse sorte. Da mistura de santo e gnomo, Noel chegou aos Estados Unidos pela mão dos holandeses. Um de seus descendentes, o poeta Livingstone, foi quem formulou o imaginário definitivo sobre Noel, ao publicar um poema em 1823. Mas foi só em 1931 que o publicitário Sundblom fixou a imagem atual de Noel, em anúncio para a Coca-Cola.

Se o Papai Noel é fruto da confluência de várias tradições, o Saci Pererê não deixa por menos. 

Nasceu ambientalista, pelas mãos dos índios guaranis e é parente do Yasi Yateré, que habita as florestas do imaginário argentino e paraguaio. 

A palavra pererê tem a mesma origem de perereca: pererek, em guarani, significa pular. Ser traquina era seu jeito de proteger a floresta daqueles que pretendiam usá-la de modo degradante. 

Os negros africanizaram o Saci, que ganhou um pito e perdeu uma perna na capoeira.

Dizem também que as escravas, ao cuidar dos sinhozinhos, gostavam de contar sobre a valentia do menino negro que não se deixava mandar, tendo reforçado sua imagem rebelde. Dos portugueses, ganhou o gorro vermelho, influência dos romanos, que o davam aos escravos libertos. Finalmente, Monteiro Lobato foi quem fixou a imagem atual do sapeca.

Se, além do gorro, a confluência de várias tradições culturais é o que os aproxima, também há o que os afaste. 

O Saci, embora quase tenha desaparecido do imaginário latino-americano, começa a retomar sua força: dia 31 de outubro é seu dia oficial e já há grupos que criam Sacis, inclusive em Ribeirão Preto.

Enquanto isso, Papai Noel vive um dilema: está cada vez mais famoso, mas cada vez mais vazio. 

Há muito deixou de ser o homem generoso, sensível com pobres e mulheres para se tornar um comprador compulsivo de presentes.

Talvez outro barbudo o explique: Marx já dizia que o capitalismo tem como fim chegar a todos os lugares e transformar tudo em mercadoria.

Parece que Papai Noel entrou nessa, enquanto o Saci, com seu histórico de resistência, renasce como símbolo do homem que deseja ser livre, como um dia foram os guaranis e os negros. 

Como serão, um dia, os latino-americanos. Quiça, com o gorro do Saci.


Postado no Blog Doladodelá em 25/12/2011


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